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Há
duas definições sobre a origem do nome derivado
em tupi Ybtyba ou Ybatiba. Em ambas concorda-se que "tuba"
poderia significar muitas; "uba"entretanto poderia se
referir a canoas ou a caniços, de um tipo de taquara comum
na região.
Os donos da terra e a Paz de Iperoig.
Os primeiros habitantes do litoral norte de São Paulo onde
se encontra Ubatuba, que pertencia na época da colonização
à Capitania de São Vicente, doada por D. João
III a Martim Afonso de Souza, foram os índios tupinambás.
Juntamente com os tupiniquins (situados ao sul) e os guaianazes
(habitantes do planalto) formavam a nação Tamoia,
em tupi "os donos da terra". O nomadismo fazia parte
da cultura indigena e entre os grupos havia relações
cordiais e convivência pacífica. A chegada do europeu
no século XVI e a tentativa de escravização
dos indígenas gerou conflito entre eles, provocados pelos
invasores.
O primeiro europeu a chegar em Ubatuba foi o aventureiro alemão
Hans Staden, que servira como artilheiro no forte de Bertioga
e ao ser aprisionado pelos tupinambás permaneceu cativo
em Ubatuba por vários meses. Após o seu resgate
por um navio francês, Staden retornou ao seu país
e relatou a sua experiência no livro "Duas viagens
ao Brasil".
Instigados pelos franceses, os tamoios confederados sob a liçenca
de chefe Cunhambebe, em confronto com os portugueses, punham em
risco os incipientes núcleos de colonização
de São Paulo e São Vicente, o que levou os Jesuitas
manoel de Nóbrega e José de Anchieta a visitar a
aldeia de Ipregoig em missão pacificadora.
Anchieta permaneceu como refém dos índios em Ubatuba
enquanto Nóbrega negociava em São Paulo o armistício,
periodo em que escreveu na areia da praia so 5.732 versos de seu
poema a Virgem. A Paz de Iperoig foi selada em 14 de setembro
de 1563 e à expulsão dos franceses segui-se a fundação
da cidade do Rio de Janeiro.
O povoamento.
De 1600 a 1750 a presença da população branca
é pequena e a agricultura de subsistência predomina;
o trecho entre Santos e o Rio de Janeiro é intencionalmente
ocupado por iniciativa do governo para garantir aposse da região.
A cultura caiçara resulta do cruzamento da cultura indígena
com a dos colonizadores inicialmente; os povoados surgem em fundo
de baía, sendo as ilhas mais ocupadas que o continente.
Nos inícios do século XVII Iperoig despertou a atenção
do governador do Rio de Janeiro , que enviara Jordão Homem
de Costa para fundar com sua família e agregados um núcleo,
onde se ergueu uma capela dedicada à Santa Cruz do Salvador.
A antiga aldeia de Iperoig foi elevada à categoria de Vila
em 28 de outubro de 1637, sob o nome de Vila Nova da Exaltação
da Santa Cruz de Salvador de Ubatuba.
O ciclo da cana e o ouro de Minas.
Na segunda metade do século XVII, a exploração
do ouro em Minas gerais vai mudando a história do Sudeste.
Cada espaço geográfico se especializa para atender
ao consumo de Minas; ao sudeste litorâneo caberia produzir
aaguardente e o açucar, gerando também outros cultivos
de apoio. Nesse período existiram em Ubatuba 19 fazendas-engenhos,
produzia-se também anil e fumo para serem trocados por
escravos na África. A produção de pesca é
intensa(em parte voltada para o mercado mineiro), sobretudo a
taínha no inverno e a população chega a 2.000
pessoas, excluídos os negros escravos. De Minas vinha o
ouro trazido por tropeiros para embarque em seu porto e a ele
chegavam as mercadorias européias que atendiam ao luxo
dos senhores coloniais de São Paulo e Minas Gerais.
O ciclo do café e a prosperidade.
Em 1787 o presidente da Província de São Paulo decreta
que todas as mercadorias da capitania deveriam ser embarcadas
por Santos(Édito de lorena), medida que ocasionou a decadência
da economia da cana e do porto de Ubatuba. A situação
só iria melhorar com a abertura dos portos em 1808 e o
comércio ganharia novo impulso com o cultivo do café
no município e no Vale do Paraíba, que tornou-se
economicamente próspero na segunda metade do século.
Ubatuba passa aser o porto exporatdor da região cafeeira,
chegando a receber anualmente cerca de 600 navios transatlânticos.
Pela "rota do café" entraram nesse perído
áureo mais de 70 mil escravos.
A Vila de Ubatuba passa em 1855 à categoria de cidade.
O urbanismo alcança o município, são criados
o cemitério, novas igrejas, um teatro, água encanada,
mecador municipal e residências para abrigar a elite local.
Ubatuba constava entre os municípios de maior renda da
província, tendorecebido através de seu porto a
primeira máquina de tecelagem do Estado, destinada a Taubaté.
Nela circulavam viajantes, negociantes, tropeiros e aventureiros,
companhias de teatro e ópera; havia festas e bailes nos
solares e o Ateneu Ubatubense dispunha de biblioteca de mais de
5000 volumes doada pelo Imperador D. Pedro II.
O cultivo do café traz modificações profundas
na paisagem física e urbana de Ubatuba: as áreas
planas crescem de valor e são devastadas ; a demanda por
construções mais complexas (embarcações,
casas e mobiliário, carros de boi) vai ocasionando o fim
da madeira de lei e aumenta a população negra. Em
1836 a população negra supera a branca e ocorrem
revoltas nas fazendas de café, que chegaram a ter cerca
de 12.000 escravos. A partir de 1870, antecipando-se ã
deflagração da guerra franco-prussiana, dezenas
de famílias nobres francesas instalaram-se em Ubatuba,
comprando grandes extensões de terras e organizando fazendas
onde se cultivou o café, fumo, cana-de-açucar, frutas
tropicais e especiarias. também montaram olarias e mansões
senhoriais.
O fim da "rota do café".
Com a marcha do café para o Oeste do estado de São
Paulo e a construção de ligações ferroviárias
entre São Paulo e Rio de Janeiro e São Paulo e Santos,
a antiga estrada da "rota do café"que ligava
o sul de Minas ao porto de Ubatuba perdeu importância. As
famílias de posses migraram e as terras perderam o valor,
permanecendo as populações pobres. Tentativas foram
feitas para refrear a decadência da cidade e de seu porto,
com a construção não-concluída de
uma estrada de ferro ligando Ubatuba a Taubaté.
O ressurgimento econômico com o turismo.
Somente a partir de 1933 ocorreu um certo ressurgimento econômico
no município liugado ao turismo, com a abertura de estrada
de rodagem entre Ubatuba e São Luiz do Paraitinga. O avanço
turístico aumentou ao abrir-se a estrada ligando caraguatatuba
a Ubatuba em 1954 e na década de 70 com a construção
da rodovia Rio-Santos (Br101), criando novas perspectivas ecônomicas
para o município com o desenvolvimento da nova atividade.
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